Desde
sempre que me habituei a ouvir e ler isto e sempre me questionei se o mesmo
seria verdade.
Em
termos práticos acredito nisso, até porque a história o diz, mas quando olho
estes povos a terra, as condições climatéricas que não se coadunam com algo tão
importante fico a pensar se tal assim será.
Povos
que parece que nasceram para sofrer, terras (algumas delas) sobre as quais se
diria num pregão popular que serão ”o sítio por onde Deus nunca passou”. Se a
isso tudo aliarmos as agruras que estes povos na generalidade passam, então
terei de questionar uma outra vertente da história; será que esta mesma
humanidade foi criada por Deus?
Se o foi
não percebo.
Não
percebo o porquê de tanto sofrimento, sim porque em Africa as pessoas sofrem.
E sofrem
de todo o tipo de calamidades, sejam elas da natureza, sejam de origem divina
como as lutas pelo controlo da fé e da religião ou de origem cultural, ou não
fossem estes os povos mais carenciados do mundo a todos os níveis, conforto,
educação, saúde, nutrição.
Basta
olhar por exemplo para o número de igrejas e irmandades religiosas que estão
bem solidificadas em Africa; Igreja Católica, Simão Toco, Igreja Batista, Josafat,
Igreja do Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová, Igreja Metodista, Pentecostal,
assim como as seitas Igreja Maná, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja
Mundial, isto só para citar as mais conhecidas e só baseado naquelas que se
dirigem exclusivamente para a população africana.
Para
além destas religiões também temos o Islamismo, Budismo, Hinduísmo, e Judaísmo,
embora estas sejam religiões de outro cariz e mais focalizadas e que até são
bastante mais discretas, até porque estas não se instalaram aí para cativar
mais fiéis, mas para servirem de suporte aos fiéis que já lá existiam.
Instituições
desde as mais ricas com edifícios ostentativos (Universal) ou com estações de
televisão (Mundial) e todas elas comercializam um mesmo produto: “milagres”
feitos a pedido e oferecendo como bónus felicidade e vida longa e saudável. Mas
claro há que ser pago. Em Africa tudo se paga, tudo tem o seu preço. E para que
o pagamento não falhe algumas destas instituições até passaram a usar o
sistema” Multicaixa” porque alguns fiéis por vezes não trazem dinheiro consigo
por causa dos assaltos, ou por esquecimento.
Entre a
riqueza de umas inquestionável e já de longa data, e o enriquecimento de outras
fica no ar a ideia de que afinal qual é o real objetivo destas irmandades, a
disputa de uma quota de fé, a disseminação da religião e consequentemente da
palavra ou este deixa de ser um objetivo para se tornar um meio para um
objetivo mais amplo?
Se
recuarmos no tempo até á época das cruzadas ou mais tarde com a Inquisição,
apenas para situar duas ações temporais distintas mas que marcaram essas épocas
como de grande fervor religioso e de grandes conquistas para além de muitos
crimes que se cometeram em nome de Deus, poderemos dizer que a igreja e neste
caso a Igreja Católica já tiveram o seu grau de responsabilidade na história,
principalmente na Europa onde há muitos séculos esta Igreja tem por norma um
grande poder subliminar. Não sendo eu nenhuma autoridade em matéria de
religião, e os meus conhecimentos teológicos se resumirem áquilo que observo a
olho nu ou na comunicação social ainda assim reservo-me o direito de contestar
esta situação.
O
contraste em Africa também se nota ao nível das igrejas, existem as ricas e as
pobres, ou pelo menos aquelas que denotam possuir uma enorme riqueza e aquelas
que se vê bem que ali o dinheiro não abunda. O ser humano se fizesse uma
estratificação deveria optar por aquelas que não denotam muita riqueza, afinal
é isso a essência da religião que sempre surgiu na história como defensora dos
pobres e oprimidos.
Sem
querer tomar partido relativamente á devoção ou ideologia das pessoas não posso
deixar de constatar uma grande diferença quanto aos valores que cada um dos 5
grandes ramos da religião e que são eles o Cristianismo, Hinduísmo, Islamismo,
Budismo e Judaísmo. Estes sim os 5 grandes pilares da devoção das pessoas.
Embora o Cristianismo tenha várias ramificações que ao formarem-se acabaram por
fraturar bastante esta ideologia religiosa. Mas aqui a diferença assenta mesmo
nesta mesma fraturação do Cristianismo que ao formar-se permitiu o aparecimento
de todas estas igrejas e junto com elas algumas seitas que a coberto da
religião vão enriquecendo o seu espólio pessoal. Ao passo que em nenhuma das
outras 4 ordens religiosas surgem seitas, claro que isso não impede o
aparecimento cada vez mais de movimentos ligados ao islamismo que assumem uma
vertente radical, mas que mesmo essas ramificações são pela comunidade islâmica
tradicional consideradas apenas desvios. A questão central de tudo isto
resume-se a que na religião islâmica, budista, judaica ou hindu o objetivo é o
alcance da perceção interior do indivíduo através da fé, embora aqui por vezes
a fé possa ser utilizada e levada ao limite acabando por surgir os tais
movimentos extremistas, ao passo que na religião cristã os bens materiais são
muito postos em causa e são da apetência de muitos tipos de igrejas e
irmandades o que provoca o aparecimento de todo o tipo de seitas que depois
exploram todas as ansias das pessoas e que transformam o objetivo da religião da
procura da paz interior num compromisso comercial.
Africa
só entra nestas contas porque devido ás carências todas de que os povos sofrem
neste continente fazem com que sejam um alvo preferido de toda essa
parafernália de vendedores de milagres.
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