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Reforma do ensino superior

 
  • A falta de uma politica que oriente os alunos, os cursos que existem para preencher vagas de pessoal docente e no final do curso a incerteza em relação a um futuro em que para eventuais vagas predominam os amigos dos amigos, e não aqueles que detém capacidades para os cargos.
  • Os estabelecimentos do ensino superior têm que passar a ver o ensino como serviço público e não como uma empresa que visa a obtenção de lucro. Os alunos na fase de candidatura e no decorrer do curso em que se inscrevem deveriam ser elucidados em relação ás saídas profissionais dos mesmos, assim como na fase final do curso deveria existir algum aconselhamento da parte dos estabelecimentos com vista a preparar os alunos para o mercado de trabalho, o que não acontece na realidade.
  • A questão é que saem bons alunos do nosso ensino superior, mas não entram bons profissionais nas empresas, porque os alunos não são suficientemente elucidados, tanto em relação ás especificidades do mercado de trabalho nem em relação ás competências que adquiriram. Este facto vai condicionar muitas vezes a sua vida profissional, é bastante frequente um aluno de Marketing que até acaba o curso com boas notas terminar e depois questionar-se em relação ao que irá ser a profissão dele. Claro que se falarmos no setor da saúde, ou do ensino não se aplicam estas dúvidas, em direito ou engenharia também não, mas nas ciências sociais e em todas as áreas relacionadas este é um condicionalismo e não são os estágios que o resolvem até porque os alunos na maior parte das vezes fazem os estágios nas empresas que os aceitam o que não implica que seja na função que eles melhor estariam preparados para exercer.
  • Para quando as vagas de recursos humanos serem preenchidas por pessoas com formação nesta área , vagas de gestão serem preenchidas por alunos de gestão?
  • São inúmeros os casos das empresas que possuem em cargos de gestão intermédia e de topo amigos dos amigos, pessoas com formação em arquitetura como diretores de marketing, engenheiros como diretores de recursos humanos, licenciados em direito como diretores gerais.
  • Será que ainda um dia iremos ao médico e do lado de lá estará alguém licenciado em economia?
  • Esta adaptabilidade do nosso tecido empresarial traduz-se no fraco desempenho das empresas portuguesas.
  • Se por um lado a polivalência assumiu uma posição de relevo nas empresas nacionais, ela apenas representa uma solução de recurso e nunca uma solução definitiva e que no longo prazo trará consequências desastrosas. Como uma equipa de futebol pode jogar com um defesa adaptado a médio e com um médio adaptado a ponta de lança, sabemos no entanto perfeitamente que isso se deve a uma solução que é encontrada pontualmente e não faz parte de nenhuma estratégia, ora se uma equipa seja ela desportiva, seja ela laboral numa qualquer área é o fruto de uma estratégia, é obvio que essa mesma equipa é pensada com cada ator a desempenhar o seu papel e nunca com atores adaptados.
  • Porquanto, se não faz parte da estratégia não deve ser posto em prática. As empresas não podem pensar em crescimento no imediato, o crescimento verifica-se a médio-longo prazo e a opção da polivalência verifica-se no curto prazo, como uma solução imediata para fazer face a uma contingência, pelo que não poderá fazer parte de uma estratègia, visto que esta é alvo de um estudo pré-definido e sustentará as ações da empresa no longo prazo e será essa estratégia que garantirá a sustentabilidade da empresa no futuro. 
 
      
 

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