
A distribuição especializada ao nível dos materiais de construção, jardim e bricolage, o chamado mercado de DIY vive um dos seus piores momentos em Portugal devido á crise que o país atravessa, ao desemprego á falta de mão de obra especializada, ao comércio tradicional que embora atomizado acaba por deter uma mais valia que seria essa a razão de ser dos grandes grupos económicos que compõem o setor.
Em tempos difíceis as empresas não podem ficar sentadas a olhar o futuro e esperar que os clientes lhes entrem pela porta dentro, há que arregaçar as mangas, há que diferenciar o serviço.Quando o mercado se encontra asfixiado com uma concorrência que presta toda o mesmo serviço, que vende o mesmo tipo de produtos, o único caminho para a diferenciação será pelo preço, pelo menos é isto que as empresas a operar em Portugal pensam e é a partir daqui que traçam a sua estratégia.
é obvio que apenas isto não basta porque depois cai-se num ciclo vicioso em que todas as empresas perseguem os mesmos clientes, os mesmos fornecedores, o mesmo serviço e até o preço que algumas teimam em baixar para se diferenciarem tende a ser o mesmo. São tendências normais que advém do Benchmark, mas também é mais do que isso é a forma de lidar do comércio em Portugal que segue uma linha de orientação em torno dos líderes dessas empresas que têm uma cultura de comércio que segue os princípios de orientação interna. Acontece que o mercado em si não é apetecível por enquanto, mas se de repente se tornar, e o mercado tem destas coisas tanto se expande como se retrai, e por vezes a contração normal da economia nuns setores faz com que surja uma expansão noutros.As empresas alinham-se em volta da mesma zona de influência fazendo concorrência umas ás outras e por vezes a sua estratégia não é tanto virada para o crescimento da sua área de negócio, mas sim para fazer com que os seus concorrentes percam, pensando de uma forma utópica que esse facto lhes permitirá ganhar quota de mercado, esquecendo-se porém que um mercado que se encontra débil acaba por ser mais vulnerável e sempre que surge uma mudança na envolvente externa todos os observadores ficam alerta e por vezes o efeito dessas medidas que se tomam têm um efeito boomerang em que acabam por entrar mais e mais fortes entidades nesse mesmo mercado respondendo por vezes a saída de um interveniente mais fraco, a grande questão que se põe é que quando o mercado se encontra frágil, todos os intervenientes se encontram debilitados, e os que entram acabam por dominar eles o mercado.
Senão vejamos; enquanto a zona de Lisboa, Porto Coimbra, Aveiro Braga e Setúbal estão saturadas com insígnias de lojas de bricolage, existem zonas que por sua vez têm um défice enorme, mas apenas porque devido á densidade populacional estas zonas de cidade são mais procuradas tornam-se muito mais disputadas com todos os fatores que fazem com que a concorrência em demasia se faça sentir em todos os quadrantes do comércio; tesouraria, margem de lucro e valor de stock.
Por outro lado assiste-se a zonas que embora com uma densidade populacional mais baixa, são até deficitárias neste tipo de comércio.
Existem 3 razões que fazem com que uma loja funcione;
1ª- LOCAL
2ª- LOCAL
3ª- LOCAL
Repare-se na zona do litoral alentejano e do barlavento algarvio por exemplo; de Santiago do Cacém até Sagres e de Sagres até Albufeira junto ao litoral num raio que se estende até Ourique pelo interior, quantas insígnias de DIY, ou bricolage, ou jardim ou que reúnam todos esses vetores existem?
Ativas a trabalhar existem,1 loja Maxmate em Portimão, 1 Leroy Merlin na Guia e 1 Bricomarché em Portimão, depois existe algum complemento em nichos de gama em alguns Intermarchés .
Nesta zona, com o encerramento devido ao incendio do Retail Park, do AKI de , Jumbos e Continentes. Em toda esta região criou-se um vazio enorme entre Santiago do Cacém e Sagres e depois todo o Barlavento, existe um potencial de mercado enorme, falamos de clientes na sua maioria estrangeiros com 2ª habitação ou moradores em Portugal e cujo interesse incide em mobiliário e produtos de bricolage, principalmente sazonal de exterior, de Sagres até Portimão à exceção da Maxmate e do Bricomarché em Portimão não existe mais nenhuma opção de compras para os clientes. Só a titulo de exemplo uma loja naquela zona tem um potencial de faturação só em produtos sazonais que lhe permitiria funcionar a tempo inteiro.
Todos os outros que existiam neste momento tornaram-se inexpressivos ou desapareceram simplesmente, numa altura em que o conceito começou a mudar e não se souberam ou não puderam adaptar-se.
Claro que todo este cenário cria oportunidades para outros intervenientes, aqui entra o comércio tradicional que se encontrava moribundo e que atualmente está a despertar por toda esta região.
Em Portimão na antiga 125, sentido de Lagos , depois da Penina ( desde o incendio no Retail) florescem as lojas a vender segmentos de produto, são mais garagens do que lojas, mas estão junto á estrada, e tentam aproveitar o vazio criado.
Falamos de um potencial de venda de cerca de 180.000 pessoas, e nos quais cerca de 5% são da classe A1 e 0% da classe A2 e 10% da classe B1, se lhes juntarmos 25% da classe B2 e B3, que são adeptos de bricolage. Eu digo isto e como trabalhei alguns anos no Intermarché tenho um conhecimento baseado em valores reais. Que dá pena, dá, ver um tal potencial desaproveitado. Por exemplo alguém que more em Aljezur e quiser comprar uma mangueira de rega, ou 1 embalagem de parafusos, ou 1 extensão elétrica tem de se deslocar atá Portimão, fazendo 140 Km de ida e volta, ou tem de comprar a qualquer comerciante de drogaria por um preço exorbitante?
Ou se viver em Ourique, tem de fazer cerca de 180 Km ida e volta até á loja mais próxima que é na Guia?
Isto para não falar em produtos técnicos específicos e que á exceção do L&M mais nenhuma outra loja tem.
O Leroy & Merlin na Guia será aquele que mais beneficia desta situação.
Existem também outros grupos com uma ou outra loja que se encontram numa situação de quase abandono do mercado e que já nem contam para a disputa da quota de mercado em parte por não terem opções de escolha nem de variedade de artigos para vender.
Num período em que as empresas se debatem com um desequilíbrio brutal entre a oferta e a procura, ainda existem lugares onde a procura excede e muito a oferta.
Nesta zona entre Santiago do Cacém e Albufeira) existem cerca de 60 superfícies alimentares entre Continente (4), Pingo Doce (5), Intermarché (12), Jumbo (2), Lidl (5), Aldi (2), Minipreço (8), mais os Apolónia (4) e Alisuper(16) e no retalho especializado apenas AKI, (1) Maxmate, (1) , Leroy & Merlin (1), Izibuild (2), é um grande diferencial face a outras zonas do país.
Mas porque será que nalguns setores a concorrência é feroz e noutros nem se faz notar, é que o cliente potencial também acaba por ser prejudicado devido a esta lacuna.
O comércio tradicional ainda vai sobrevivendo e algum até se regenerou devido a este diferencial positivo que eleva em muito a procura face á oferta.
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