![]() |
| Peça 23.4 mm a fazer fogo para o mar para um alvo estratégico. |
Mas bem rápido esse desejo sofreu um revés, aproximava-se a idade de ir á tropa e aí outros e mais altos valores falaram, eu não queria ir.
A tropa iria tirar-me tudo aquilo que eu conquistara de bom com a minha emancipação, que diabo, mas porque raio de carga de água eu teria de ir?
Foi embutido desse mesmo sentimento de negação que faltei á inspeção militar, o que me valeu a apelidação de "compelide" mais tarde vindo com isso a ter de cumprir mais 16 meses, sorte a minha foi que com 2 amnistias uma derivada da vinda do Papa a Portugal, e outra decorrente da eleição de um Presidente da República lá me safei ao castigo extra, não sem que mesmo assim tivesse de cumprir mais 2 meses no RAC, Regimento de Artilharia de Costa para onde fora entretanto transferido em Alcabideche e hoje desativado (hoje é um quartel da GNR).
![]() |
| Aqui estou eu sentado no Hunnimog, com o Ramos em pé de FBP nas mãos e o Batalha apoiado na capota. |
ano para a agua em frente á baía de Cascais.
Bem, acabado este período e até aos 30 a vida rolou, até que subitamente passei a barreira dos 40 e aí começa de novo a idade a ter um peso nas minhas decisões, mas desta vez por um outro motivo. Agora era porque achava que tudo o resto que me tinha acontecido de positivo começava a ficar cada vez mais distante, a balança da idade pendia em sentido contrário.
Agora olhando o futuro, sinto que o passado tem um peso enorme na minha vida, tudo aquilo que vivi, o que passei, os bons e os maus momentos cruzam-se. Sinto-me mais experiente, mais confiante mas agora que adquiri toda essa vivência, essa confiança em relação ás atitudes a tomar, as decisões que saem com um vínculo diferente, mais pausadas, pensadas e analisadas, agora que eu deveria estar a usufruir de todo o investimento feito pelo caminho até chegar a este patamar, dizem-me que estou numa fase descendente, aquela em que sentimos que a partir daí só se desce, até chegar ao nível onde começámos.
Mas eu recuso-me, luto, agarro-me com força, a experiencia ensinou-me como me segurar, equilibro-me melhor, preciso de menos espaço adjacente para ocupar o espaço necessário ao desenvolvimento de atividades.
Os anos passam, mas a força interior vive, a chama não se apaga, nem que eu tenha de lutar contra mim mesmo, nunca me rendi sem luta, e não será agora que compreendo tão bem a vida e as suas vicissitudes que iria entregar os pontos.




Comentários
Enviar um comentário