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Novo para a reforma, velho para trabalhar


Peça 23.4 mm a fazer fogo para o mar para um alvo estratégico.
Ao longo da minha vida fui passando por muitas alterações da minha visão temporal no que concerne à minha pessoa, em virtude disso a ideia que fui criando de mim próprio foi-se alterando consoante a idade ia passando. Lembro-me de ter 16 anos e desejar ter 18 para poder sair á noite, poder ir ao cinema ver os filmes de que gostava e entrar em todo o lugar que na época reservavam medidas mais ou menos duras relativamente á idade.
Mas bem rápido esse desejo sofreu um revés, aproximava-se a idade de ir á tropa e aí outros e mais altos valores falaram, eu não queria ir.
A tropa iria tirar-me tudo aquilo que eu conquistara de bom com a minha emancipação, que diabo, mas porque raio de carga de água eu teria de ir?
Foi embutido desse mesmo sentimento de negação que faltei á inspeção militar, o que me valeu a apelidação de "compelide" mais tarde vindo com isso a ter de cumprir mais 16 meses, sorte a minha foi que com 2 amnistias uma derivada da vinda do Papa a Portugal, e outra decorrente da eleição de um Presidente da República lá me safei ao castigo extra, não sem que mesmo assim tivesse de cumprir mais 2 meses no RAC, Regimento de Artilharia de Costa para onde fora entretanto transferido em Alcabideche e hoje desativado (hoje é um quartel da GNR).

Aqui estou eu sentado no Hunnimog,
com o Ramos em pé de FBP
nas mãos e o Batalha apoiado na capota.

A tropa que eu não tinha desejado tinha-me sido um pouco madrasta, de castigo em castigo com alguns prémios pelo meio entre os quais o Crachá de Mérito Físico Militar, orgulhosamente ganho entre o contingente militar nacional que rondava nessa altura os 100.000 militares e no qual era necessário ter uma média de 18 em 3 dias seguidos de exercícios, houve 3 medalhados e eu fui um deles, um garboso crachá que perdi numa noite de copos em Cascais. A polémica que a foto do lado deu, esta e mais umas quantas que na altura nem souberam que eu tinha guardado. Por conta disto e porque eu não era militar de artilharia (era de infantaria) e como tal não podia entrar dentro das peças (canhões 23.4mm) enfim umas quantas fotos criaram um problema complicado que me obrigou a ficar mais 1 mês na tropa. Embora tivesse a especialidade de sapador (minas e armadilhas) quando arranjei a troca para o RAC em Alcabideche como cozinheiro nunca pensei que iria acabar a fazer porta de armas e reforços ao forte. O forte era assim chamado por ser o local onde estavam guardados 3 canhões de 23.4mm que faziam tiro 1 vez por
ano para a agua em frente á baía de Cascais.
Bem, acabado este período e até aos 30 a vida rolou, até que subitamente passei a barreira dos 40 e aí começa de novo a idade a ter um peso nas minhas decisões, mas desta vez por um outro motivo. Agora era porque achava que tudo o resto que me tinha acontecido de positivo começava a ficar cada vez mais distante, a balança da idade pendia em sentido contrário.
Agora olhando o futuro, sinto que o passado tem um peso enorme na minha vida, tudo aquilo que vivi, o que passei, os bons e os maus momentos cruzam-se. Sinto-me mais experiente, mais confiante mas agora que adquiri toda essa vivência, essa confiança em relação ás atitudes a tomar, as decisões que saem com um vínculo diferente, mais pausadas, pensadas e analisadas, agora que eu deveria estar a usufruir de todo o investimento feito pelo caminho até chegar a este patamar, dizem-me que estou numa fase descendente, aquela em que sentimos que a partir daí só se desce, até chegar ao nível onde começámos.
Mas eu recuso-me, luto, agarro-me com força, a experiencia ensinou-me como me segurar, equilibro-me melhor, preciso de menos espaço adjacente para ocupar o espaço necessário ao desenvolvimento de atividades.
Os anos passam, mas a força interior vive, a chama não se apaga, nem que eu tenha de lutar contra mim mesmo, nunca me rendi sem luta, e não será agora que compreendo tão bem a vida e as suas vicissitudes que iria entregar os pontos.




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