Chegou o Outono, com ele vieram as chuvas, aqueda das folhas, as manhãs cinzentas, os finais de tarde enublados acompanhados de chuva.
O vento que sopra embalando a chuva que nos molha o rosto quando colocamos a cabeça á janela de casa.
Essa chuva que trás vida, que faz florescer pedaços de natureza que se encontravam mortos, a erva que fica mais verde, que cresce exponencialmente.
Mas trás também e como sempre nesta altura, frio, nuvens escuras carregadas de agua, que despejam de forma agreste sobre a terra, numa desigualdade meteorológica que chega a não fazer sentido porque os extremos se tocam nestes dias, o calor de uns dias que ainda teima em fazer-se sentir contrasta com o frio que tem pressa em chegar.
O tempo é pródigo em calamidades, o Verão partiu, e com ele os fogos. Esses fogos que teimam em chegar todos os anos, que ceifam vidas, derretem bens e poem a nu a fragilidade de uma comunidade que ano após ano, reclama pragueja, promete, mas não cumpre.
O Outono trás as primeiras chuvas, as bermas das estradas que ficam alagadas, as tampas dos esgotos que saltam, arvores que caem, terras que desabam, casas que não resistem.
Tal como os flagelos do Verão, também o Outono é pródigo neles, mas acima de tudo serve como ultimo aviso, como a buzina do barco que vai partir e não espera pelos passageiros atrasados.
Avisa com tempo útil para o frio, para as fortes chuvadas que por vezes parecem dilúvios, para as fortes correntes de água das chuvas, porque estas primeiras as terras secas do Verão absorvem-nas, mas as próximas que se adivinham serão mais persistentes e necessitam de antecipação para que não se veja a repetição de um cenário que como um déjà-vu soa todos os anos.
E com essas primeiras chuvas surgem os cogumelos, lindos com muitas cores, são um ex-libris dos bosques, pinhais e florestas.

Mas as pessoas que os vêm apanham-nos, e gostam de comê-los como se tão simples fosse, esquecendo que estes fungos têm tanto de beleza como de perigo e nem todos poderão ser comidos.
Para além das espécies que existem normalmente á venda nas praças e supermercados surgem nesta altura os míscaros ou sanchas. São de cor amarela, surgem nos pinhais maioritariamente junto aos pinheiros envoltos pela caruma e encontram-se parcialmente cobertos de terra, são uma maravilha cozidos, guisados ou assados e existem um sem número de receitas que os utilizam, mas atenção é necessário conhecê-los bem, porque é necessário saber quais são bons para comer e quais são venenosos e por vezes para pessoas que não têm muita experiencia torna-se um erro fatal colhê-los e cozinhá-los.
Como diria o meu pai "todos os cogumelos são comestíveis, mas alguns só são uma vez".
Miscaro ou Sancha



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