Encontrei um post no facebook que me deixou algo curioso e estupefacto e como tal tenho de desmistificar aqui algumas questões: O texto seguinte refere-se ao pretenso post.
Como funcionam as cadeias de Grande Distribuição
1. Exigem aos fornecedores contratos de fornecimento na base de 40.000 euros
2. Exigem aos fornecedores que lhes paguem o espaço que os artigos ocupam em lugares de destaque.
3. Exigem aos fornecedores repositoras e demonstradoras para venderem os artigos, pagos pelos fornecedores.
4. Exigem aos fornecedores que lhes paguem os folhetos
5. Exigem aos fornecedores que lhes paguem o espaço de eventuais expositores que queiram colocar nas lojas.
6. Colocam á venda os produtos muito abaixo do custo estrangulando a margem dos produtores e fornecedores.
7. Beneficiam de descontos de campanha.
8. Beneficiam de proteção de stock.
9. Têm Benefícios Ficais na Missão Sorriso.
10. Beneficiam com os Bancos Alimentares contra a Fome.
11. Beneficiam de apoio das autarquias em troca de mais valias.
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Ponto 1.- Cada grupo é um grupo e haverá com certeza a nível das Centrais de Compras valores a negociar para certos e determinados produtos serem colocados em linha, na medida em que isto acarreta sempre custos ás empresas de distribuição, nomeadamente necessidade de alterar a gama, a sua profundidade, modificar a sua amplitude para dar espaço a esses produtos novos, criar no sistema a ficha do artigo enviar informação aos pontos de venda e tudo isso tem custos indiretos.Ponto 2.- Os artigos têm um lugar que está definido no planograma dos Supermercados e que permite que o mesmo utilize em função da sua própria estratégia o método que lhe permita aumentar as vendas deste ou daquele artigo (muitas vezes dos artigos de marca própria) que lhe proporcione maior rentabilidade, e isto é o cerne do negócio, se tal não fosse assim nem valeria a pena o negócio existir. Então quando o fornecedor pretende colocar o seu artigo noutro local de maior visibilidade, ou por um motivo de aumento de notoriedade substituindo outro produto pelo seu nesse espaço, deverá compensar o ponto de venda por isso.
Ponto 3.- Os próprios fornecedores têm interesse em ter repositores a fazer com que o seu artigo não falte na prateleira e a tentar com que o mesmo beneficie de um melhor local de exposição. No caso das promotoras são ações combinadas e que normalmente parte da iniciativa do fornecedor.
Ponto 4.- Na generalidade das situações são os próprios fornecedores que têm interesse em aparecer nos folhetos e terem os seus produtos lá representados, aproveitando a notoriedade dos mesmos e a sua exposição. Um folheto tem custos elevados para uma empresa e um retorno por vezes não tão eficiente como se esperava, faz todo o sentido que se alguém quer usufruir de uma publicidade endereçada que pague por isso e deve ser entendida como uma parceria. Tal como se fizesse um anuncio na televisão ou jornal. Quanto á obrigatoriedade dessa parceria existir, não será decerto com tanta frequência e será previamente contratada, aquando da entrada em linha dos produtos.
Ponto 5.- Um expositor é um espaço extra, e que beneficia de uma maior visibilidade na loja, normalmente são os próprios fornecedores que pretendem usufruir de um maior destaque, propondo dessa forma a colocação de expositores e neste caso fazendo todo o sentido a loja pedirá uma contrapartida para o mesmo, isto é simplesmente aumentar o espaço de venda retirando esse mesmo espaço a outros produtos e como tal deverá ser pago, seja em produto ou em valor, é obvio que depois o lojista irá diluir esse valor nas condições de venda desse produto e baixar-lhe o preço, ou aumentando-lhe as condições para o cliente com alguma oferta associada. Como tal quem beneficia com esta situação, para além do cliente final será o fornecedor.
Ponto 6.- Colocar produtos á venda abaixo do preço de custo é crime e como tal não pode ser praticado. Isto não faz sentido porque o Dumping não faz parte da estratégia da distribuição, e mesmo que ocorra serão as autoridades que o deverão controlar, e isso em nada causará prejuízo ao fornecedor ou produtor, visto que ele acaba por receber o preço negociado.
Ponto 7.- Os descontos de campanha referem-se á chamada "economia de escala" e faz todo o sentido porque os grupos de distribuição também correm um risco porque têm de comprar o produto com antecedência, maior quantidade (o stock tem custos) e um maior risco de venda falhada. quem compra 1000 unidades consegue comprar mais barato do que quem compra 10, mas isto são os próprios fornecedores a promover e muitas vezes quase a exigir. Sempre assim foi e sempre assim será.Ponto 8.- Desconheço que algum grupo beneficie de proteção de stock, pelo contrário possuem é um risco maior ao aumentar o seu stock. Isto não faz sentido absolutamente nenhum.
Ponto 9.- Benefícios fiscais? Isto é mais uma coisa sem sentido. quais são os benefícios para uma empresa que dá um valor de 100 e lhe são deduzidos 23 que é a quota do imposto entregue ao estado, faz todo o sentido que o estado não colete imposto sobre algo que é oferecido seja para a missão sorriso ou qualquer outra organização não lucrativa.
Ponto 10.- Isto é mais outra falácia sem sentido e desprovida de qualquer conhecimento. Os bancos alimentares contra a fome têm de fazer os seus peditórios e ao autorizá-los o supermercado está a contribuir para uma boa causa apenas, e por vezes também são os supermercados que entregam coisas que não estão em condições de venda, mas que estão boas para consumir, como pacotes de detergente, farinhas, massas, embalagens cortadas, abertas ou danificadas, ou produtos com a validade quase a terminar e que se encontram em condições de consumo. De salientar que eu já por diversas vezes fiz isto e nem sequer nenhuma prova de entrega exigi, limitando-me a dar quebra dos artigos no nosso stock.
Ponto 11.- Mais uma inverdade, desconheço que os grupos de distribuição beneficiem de apoios das autarquias, eu conheço é o contrário, redes de supermercados que contribuem para as juntas de freguesia, camaras, paróquias, associações locais, lares, instituições de caridade, sem usufruírem de nenhumas mais valias e isso o autor deste post não mencionou aqui, por falta de informação ou por desconhecimento.
Só para que se saiba, as margens de lucro brutas na grande distribuição alimentar rondam os 15% enquanto as margens do comércio tradicional pelo menos até a grande distribuição se instalar e ganhar mercado eram de 35 a 40% no mínimo, sendo que hoje ainda andam pouco abaixo desses valores.
Por isso deixo aqui uma informação ao autor do post, se a grande distribuição está perto da falência, poderá ser normal com alguns grupos e algumas lojas (não é segredo nenhum que algumas já fecharam), mas se está tal deve-se á grande concorrência entre as mesmas e á redução das suas margens de lucro.
É lamentável que assim seja e que haja pessoas que ainda pensem que foram os super e hipermercados que mataram o comércio tradicional e não que foi o próprio comercio tradicional que se matou a ele próprio não se modernizando, vendendo produtos com margens altíssimas durante anos a fio, agindo como se estivesse perante uma fonte inesgotável, mas como diz o ditado, tudo na vida tem um fim, e o comércio tradicional ajudou a ditar o seu próprio fim.

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