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Um oásis no deserto

A 180 km de Lubango, cidade capital da província da Huíla encontra-se a cidade do Namibe. Esta localidade que também é capital da mesma província, e outrora chamada Moçamedes é um local idílico e onde cada rua, cada parede cada pedaço de terra tem uma história para contar. Outrora grande centro de pesca de baleias e onde até existiu uma companhia com esse nome, ainda conserva alguns traços da arquitectura colonial e sente-se no ar a presença portuguesa que quase se apagou ao longo do tempo, mas que ainda teima em persistir.
Descemos a Serra da Leba num deleite fora do vulgar com uma paisagem que parece surreal, com montanhas recortadas por frondosos vales e curvas e contracurvas de cortar a respiração. A perigosidade das curvas só é suplantada pela beleza selvagem da paisagem.


Passamos o cruzamento que dá para a Bibala, vila que em tempos se chamou de Messejana e seguimos em frente por uma estrada povoada de aldeias de Mumwillas, habitantes locais da provincia da Huìla, que são mais à frente ao entrar na província do Namibe secundados pelos Mucubal, outra tribo que assim como os Mumwillas, ainda vive sob a tradição e costumes que sempre os definiram. São populações tribais, amistosas que se dedicam ao comércio de hortícolas, frutas e artesanato, mas também ao pasto de gado bovino, caprino e suíno. Quando nos aproximamos de Caraculo, uma pequena localidade a cerca de 90 km de Lubango, já sentimos o calor do deserto e a paisagem já muda significativamente, mais árida, com muitas rochas e vegetação mais baixa. O calor apenas se suporta porque nota-se uma aragem de frescura pela aproximação do mar que se situa cerca de 60 km em frente.
Um pouco à frente a Leba pequena, com umas 4 curvas mais pronunciadas e uma inclinação de 10% que contrastam com a paisagem deserta através de montanhas de barro e areia que mais parecem retiradas de uma paisagem lunar.
Uma ponte nova feita em tempo recorde sob um rio que só tem agua na época das chuvas termina a ligação ao nosso destino, a cidade do Namibe vislumbra-se ao fundo depois de 2.30h. de viagem as bananeiras na entrada da cidade parecem um oásis no meio de todo o deserto que rodeia a cidade, e alí entre o mar e o deserto vive-se e dizem as pessoas são felizes ou não fosse esta terra ter o cognome de "terra da felicidade".
A cidade que tem 2 artérias principais que conduzem ao mar e com mais outras tantas perpendiculares, mostra-se um pouco envelhecida, com muitas casas a precisar de restauro. A nova cidade ergue-se mais para sul e fica na extremidade da orla terrestre, será pena no entanto que toda aquela história presente nas casas, nas ruas e em cada pedaço de lugar se perca.
Junto á praia dentro da cidade temos restaurantes onde se come muito bom peixe fresco, os preços são bastante aceitáveis, temos o Ponto de encontro, o Beira Mar, o Naútico só para citar estes que melhor conheço e em todos eles se come muito bem.






Mais a sul a praia Amélia, o Resort Vila Doroteia com os seus bungalows tem uma localização fantástica, fica na praia e permite uma pausa de fim de semana fantástica apreciando o mar com as suas fortes ondas oceânicas e no horizonte vislumbram-se as dunas do deserto. Mais á frente a praia Amélia com toda a sua vastidão que chega até á praia das Escadinhas de onde é possível de cima dos promontórios subjacentes admirar toda a paisagem marítima.


As ruas do centro da cidade em dias quentes têm muita animação, a praia do centro da cidade enche de gente aos domingos à tarde e a marginal permite um passeio fantástico desde o inicio da avenida até junto ao porto do Namibe. Para quem gosta de aventura nada como aventurar-se um pouco pelo deserto à descoberta de uma planta que só existe aqui mesmo, a Welwitchia Mirábilis, uma planta com séculos de existência que devido ás suas características consegue sobreviver num clima tão agreste, apenas conseguindo tal proeza graças ás suas raízes fundas que conseguem encontrar agua a muitos metros de profundidade. Esta planta também ficou famosa graças a algumas crenças populares que a configuravam como carnívora e que devorava insectos e pequenos roedores, facto que já foi desmistificado e provado que não passa de uma lenda., No entanto a sua beleza e forma invulgares faz dela algo de único no universo e só o facto de estar perto de algo tão raro faz valer a pena o calor, a poeira e a viagem.

Namibe, Terra da Felicidade




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