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Trump, e agora?

Donald Trump ganhou, é o novo presidente dos EUA, e agora?
Agora, e altura de não fazer nada, simplesmente aguardar.
Aguardar o que?
O mesmo que todas as pessoas têm aguardado sempre que alguém é eleito por uns sem ter a aprovação de outros. Vi nestes últimos dias pessoas a acharem que o fim do mundo ficou mais próximo que a 3ª guerra mundial se avizinha e mais uma mão cheia de imprevisibilidades que poderão conduzir a humanidade a algo que não era esperado.
Se Donald Trumpdurante a campanha disse coisas más? Sim disse.
Se disse coisas que não estávamos habituados a ouvir? Sim disse.
Se disse coisas impensáveis para alguém que se candidata a um cargo daqueles? Sim disse.
Se o Donald Trump será o pior presidente que os EUA tiveram? Não, não será. Já houve tantos presidentes que tomaram atitudes impensáveis nos EUA, a caça aos comunistas com as injustiças que foram perpetradas, as guerras fomentadas por todo o mundo, a guerra fria, a deposição de presidentes (alguns dos quais eleitos por eles) cada um deles pelos seus motivos que comparado com tudo isso Trump não passará de um menino reguila.
Quando vimos Trump durante a campanha, com tudo aquilo em que se focou, parecia um mau personagem tirado de um conto de banda desenhada, cheio de ideias fantasmagóricas, com acusações, a esquerda e direita como se precisasse de declarar guerra a todo o mundo para vencer e fazer passar a sua mensagem, no entanto essa mesma personagem esfumou-se de um momento para o outro quando percebeu que tinha ganho as eleições, como qualquer politico há uma mensagem para o período pró-eleitoral e outra para o período pós eleitoral.
Como se não bastasse depois ainda existe um aparelho bem afinado nos EUA que dá pelo nome de Casa Branca e que também contrariamente ao que muita gente pensa não é composta apenas pelo presidente, mas por uma série de conselheiros, directores de departamentos e chefes de instituições que foram criadas com o intuito de assessorarem o presidente dos Estados Unidos, mas que ao mesmo tempo também lhe moldam os sentidos, o fazem interessar ou desinteressar-se de certas politicas, acções ou ideias que o mesmo queira pôr em prática. A CIA através de todos os ramais que possui no aparelho de estado norte americano, todos os departamentos que controla e a pressão que exerce sobre qualquer inquilino da Casa Branca encarrega-se de fazer com que muitas das ideias atabalhoadas de Trump (pelo menos a forma como ele as apresentou) entre elas a prisão dos ilegais e a sua expulsão do pais, sabendo de antemão que grande parte deles são membros de gangues e outras organizações criminosas, a construção da fronteira física com o México através da construção de um muro, a eliminação do terrorismo quando pretende retirar tropas de territórios onde ele floresce a cada dia que passa, tudo isto a seu tempo perderá o interesse até para ele mesmo. Depois para além de tudo isso existe ainda o senado, local onde muitas vezes os sonhos de muitos presidentes esbarram, e se há países onde o poder legislativo funciona é nos EUA.


Os EUA, seja com qualquer um como presidente terão sempre o mesmo tipo de política internacional que será virada para intervenção em conflitos em países de outros continentes sejam africanos, asiáticos ou outros, nesse contexto nada mudará enquanto este país for dependente do petróleo e não for auto-suficiente, ou enquanto a sua indústria de armamento não for reduzida a níveis muito mais baixos.
A nível interno já não se poderá dizer o mesmo, ai sim o presidente eleito terá uma palavra a dizer e creio eu que será, quer ele hoje o reconheça ou venha a reconhece-lo num futuro próximo a agenda que o manterá ocupado em grande parte do seu mandato e onde ele terá muita coisa para mudar e acertar porque nesse sentido os estados unidos têm tido um grande desenvolvimento na sua politica externa, mas na politica interna é um pais que muito terá a fazer para atingir níveis que os aproximem da Europa e reformas quer ao nível da saúde, da justiça, e onde as famílias são constantemente bombardeadas com uma taxa de desemprego enorme, e onde será vital que se promova a equidade, se a tudo isto juntarmos os grandes conflitos raciais que surgem diariamente num pais onde existem um numero enorme de culturas e etnias diferentes, Donald Trump ter+a uma agenda sobrecarregada enquanto presidente, podem por isso colocar de lado o fantasma de Trump a iniciar uma guerra fria com Cuba ou a invadir o Botswana. Penso que poderemos dormir descansados por ai, e não nos esquecermos que o mundo é dominado por outras personagens bem mais perigosas.
Boa semana de trabalho.

Mario Pereira.

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