Avançar para o conteúdo principal

40 graus a sombra, ou guerra dissimulada

Longe da minha terra natal, ainda assim nao deixo de estar preocupado e consternado com as noticias que vou vendo e que assim como o fogo me vao consumindo a alma.
Sera que os fogos em Portugal tambem serao um preco a pagar pelo progresso?
Esse mesmo progresso que acabou com aquela figura tipica dos guardas florestais que eram quando da sua desmobilizacao na ordem dos 4000 elementos e que distribuidos por 950 casas florestais
mantinham pinhais e demais zonas desabitadas em ordem precavendo fogos e outras calamidades. Tudo em nome do progresso que acabou por os substituir por gabinetes de gestao (claro que haveria de dar emprego a cabecas pensantes) e outros institutos que apesar da pompa nunca fizeram nenhum servico de prevencao.
Sim, porque a melhor maneira de combater os fogos e a prevencao que resulta melhor que qualquer ataque ao mesmo. A prevencao poupa vidas humanas, animais e bens diversos que a toda a hora vemos percer perante tao cruel calamidade. E todos os anos a mesma coisa, ano apos ano, sera que as populacoes em Portugal que habitam fora das cidades tem de aguardar pacientemente sempre que o verao chega que o fogo faca a sua aparicao como se fossem condenados a morte que aguardam numa cela?
E sempre ano apos ano, la vem o ministro, la vem o (a ) responsavel da proteccao civil, o presidente da republica, o presidente da camara, os inumeros comandantes dos bombeiros e comandantes da GNR, todos os anos este mesmo desfile de personalidades que sabem que daqui a uns meses vai acontecer de novo, e o que foi feito para o evitar?
Falam sempre nos numeros da operacao como se de uma operacao de matematica se tratasse, como se isso fosse suficiente.
Os guardas florestais, eram assim um custo tao grande?
Eram um custo maior do que as centenas de vidas que se tem perdido nos ultimos anos?
Um custo maior do que o terror que os que escaparam presenciaram?
um custo maior que a dor dos familiares que nada puderam fazer para evitar a tragedia?
Um custo maior que os animais mortos e abandonados?
Um custo maior que os bens que as pessoas perderam?
Ha bens para alem das vidas que nunca mais serao recuperados.
E o trauma nas vidas daqueles que sobreviveram?
E a perda de beneficio para as geracoes futuras?
E os milhoes que sao gastos anualmente em avioes, helicopteros e outros meios sempre que um fogo eclode?
Portugal e um dos poucos paises no mundo que nao possui um corpo de guardas florestais. eu ate concordaria que se tivessem actualizado as condicoes e a tecnologia destes guardas florestais, mas a sua figura, as suas casas enfim toda a estrutura que os sustentava deveria continuar a existir.
Mas em nome do progresso, ou de outra qualquer ideologia ou interesse (nao publico) apagou-se essa figura que tanta tranquilidade dava ao povo portugues.
Claro que comparado com os parcos salarios dos guardas, os alugueres de avioes e helicopteros nao sao nada.
Claro que comparado com esses salarios, o custo de toda a equipa de proteccao civil, dos gabinetes, dos estudos que se fazem e tudo o resto associado ao combate aos fogos nao e nada.
Mas se ja se sabe que em Agosto vao comecar os fogos, os motivos, esses sao os mesmos de sempre, os causadores esses sao inimputaveis como sempre, sim porque muitos dos fogos sao causados, como quase toda a gente sabe, ainda assim atribui-se sempre uma causa da natureza, o calor extremo, os tais 40 graus, o clima seco, os ventos. A tragedia essa e anunciada so falta saber em que local vai comecar, mas como sempre vai varrer o pais de Norte a Sul.
Depois apesar de toda a experiencia que se deveria ter ganho com os fogos que ja acontecem ha umas dezenas de anos, como se passa o tempo a mudar os comandantes, directores  e responsaveis da proteccao civil e afins, assiste-se aos espectaculos lamentaveis como ainda agora aconteceu em Monchique que ardeu durante 7 dias e so ao oitavo dia o fogo foi considerado dominado. Segundo se conta a desorganizacao imperava, com carros de bombeiros que nem chegaram a ser utilizados, com montes de gente a dar instrucoes, e com muita gente a dizer que se poderia ter feito algo mais.
Os comandantes da proteccao civil ja mais parecem treinadores de futebol, quando a equipa perde o campeonato mudam-nos, e la comeca outra epoca com eles a preparar a equipa e e sempre um projecto para funcionar a medio-longo prazo quando a urgencia pede uma solucao no momento. Fica muito giro ver esses responsaveis de colete, e capacete como se andassem tambem a combater o fogo, e ver senhoras que de certeza nunca se viram a bracos com uma situacao de perigo real (a comandar homens treinados para situacoes reais) a aparecerem perante as cameras de televisao e adar aquele ar de cansaco, que fica sempre bem para as fotos.
E ver os ministros a passearem pelos locais, como se ja fizesse parte da epoca balnear ir para os fogos (apos dominados).
E a solucao?
Quantas vidas se irao perder mais?
E agora com as novas vitimas que irao surgir (que o diabo seja cego, surdo ne mudo), mas infelizmente e o que se espera quando a incompetencia comanda, como irao ficar as vitimas do ultimo ano de fogos, como Pedrogao e as outras localidades, a maioria das quais apesar de toda a publicidade feita ainda nao viram ajuda nenhuma do estado?
E agora cairao nos anais do esquecimento?
Onde esta a forca aerea?
Porque quando os fogos se intensificam nao levantam os avioes da forca aerea para ir socorrer os bombeiros, esses mesmos que sao outros dos sacrificados ?
Esses que tanto deles ja se escreveu ultimamente que pouco mais sobra, mas que no meio de toda esta confusao dao sempre o melhor que teem para salvar vidas e bens, assim como a GNR que apesar de tudo que se possa dizer nao venham agora tambem crucificar estes homens que tem ido muito para alem do seu dever. Tem ido para alem do dever sim os militares da GNR que eu tenho visto pelas televisoes e jornais a ajudar a apagar os fogos como se de bombeiros se tratasse. Foi preciso usar de alguma forca para retirar as pessoas de casa, foi sim, mas a situacao exigia-o, e se nao o tivessem feito?
E se se tivessem perdido vidas, ja vinham agora acusar os militares de nao terem intervido e mostrado autoridade.
A GNR tem dado uma licao de humildade e de sentido de abnegacao ao ajudar de forma presente no combate aos incendios.
Nao fossem eles e o desfecho dos incendios do passado e estes ultimos teria sido bem pior.
Mas homens sem meios pouco podem fazer quando nao ha uma estrategia definida e pensada antes.
Helicopteros comprados que nao operam, helicopteros alugados a precos que rondam o impensavel, avioes alugados quando ja se deveria ter adquirido aeronaves proprias ou requalificar as existentes da forca aerea.
Ha fogos em que os avioes destacados nao conseguem la chegar e os avioes da forca aerea estao estacionados nas bases aereas, como se nao se passasse nada, como se estivessem a espera de uma guerra que teima em nao chegar. Nao chega pela via normal, chega de forma dissimulada esta guerra que todos os anos fustiga um povo que desespera com uma solucao que tarda em chegar.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Eixo Sines Panamá

Porto de Sines Canal do Panamá       Depois da visita do presidente do Panamá a Portugal, com relevo a Sines investida de um interesse bilateral com vista ao desenvolvimento do porto de Sines que o próprio Panamá tem interesse em desenvolver, após as grandes obras de assoreamento no canal do Panamá para o habilitar á navegação de grandes navios O que esperam as mentes decisoras do pais, que esta oportunidade desapareça, que os interesses do Panamá hoje e da Asia num futuro próximo se desvaneçam? Perde-se tanto tempo a falar em desgraças, em coisas que não interessam e obras que fundamentalmente podem fazer este pais sair do atoleiro onde está não se discutem, não se fala disto? Quem não está interessado nisto, ou será que alguém esta interessado em que caso outras nações aqui invistam aconteça como no caso do petróleo, em que viremos a receber uns míseros cêntimos por barril? Se isto fosse uma autoestrada para nenhures, ou um aeroporto para pombos já teri...

Algarve, o paraiso aqui tão perto

   Miradouro, descida para a Praia da Rocha  Por do sol, final de tarde na Praia da Rocha Algarve, barlavento  Apesar de ter estado pouco tempo no Algarve apaixonei-me por esta terra, eu que até há algum tempo atrás apenas conhecia de passagem , foi necessário estar aqui a viver durante 14 meses para perceber e compreender toda a beleza desta região. Não é aquela necessidade do rebuliço do verão, não é a nostalgia do inverno, é um misto de tudo entrecortado com um pouco de cada coisa. É o clima, é as suas gentes, é o cheiro a mar, é o barulho das gaivotas pela manhã no inverno, é o facto de sermos insignificantes numa local em que ninguém nos conhece apenas por isso, passarmos despercebidos. É a marina de Lagos, a Meia Praia com os seu areal infindável, a costa toda até Sagres, os locais idílicos com casas na serra a espreitar o mar, é o cheiro a verão, a agitação que se vive que nos faz esquecer das agruras do dia a dia, é um passei...

Africa, o berço da humanidade

Desde sempre que me habituei a ouvir e ler isto e sempre me questionei se o mesmo seria verdade. Em termos práticos acredito nisso, até porque a história o diz, mas quando olho estes povos a terra, as condições climatéricas que não se coadunam com algo tão importante fico a pensar se tal assim será. Povos que parece que nasceram para sofrer, terras (algumas delas) sobre as quais se diria num pregão popular que serão ”o sítio por onde Deus nunca passou”. Se a isso tudo aliarmos as agruras que estes povos na generalidade passam, então terei de questionar uma outra vertente da história; será que esta mesma humanidade foi criada por Deus? Se o foi não percebo. Não percebo o porquê de tanto sofrimento, sim porque em Africa as pessoas sofrem. E sofrem de todo o tipo de calamidades, sejam elas da natureza, sejam de origem divina como as lutas pelo controlo da fé e da religião ou de origem cultural, ou não fossem estes os povos mais carenciados do mundo a todos os níveis,...